Cinema e fronteiras: a influência de produções estrangeiras no mercado cinematográfico na China e no Brasil

Capa: Cinema e fronteiras: a influência de produções estrangeiras no mercado cinematográfico na China e no Brasil

Hoje, fui informado de que o Senado discutirá uma nova legislação para proteger o cinema brasileiro e o audiovisual, uma medida de grande importância, pois o cinema não é apenas entretenimento; ele é também uma ferramenta política e comercial.

Ao refletirmos sobre o impacto das produções internacionais, como o sucesso de filmes como Barbie, e a análise de estudiosos chineses sobre a presença de filmes estrangeiros no país, fica claro a importância de fortalecer os mercados internos, como o do cinema brasileiro, para manter a identidade cultural.

Com mais de R$160 milhões em bilheteiras no Brasil, o fenômeno não é apenas um marco de entretenimento, mas também de estratégia comercial robusta. Este sucesso é representativo de uma indústria cinematográfica global onde grandes produções dominam, ao passo que as produções locais enfrentam desafios significativos.

Ao observarmos os dados de público no Brasil de 2022, vemos um contraste preocupante: enquanto mais de 91 milhões de brasileiros assistiram a filmes estrangeiros, apenas 4 milhões assistiram a filmes brasileiros. Isso não apenas reflete uma preferência pelo cinema estrangeiro, mas também a dificuldade das produções nacionais em competir por espaço nas salas de exibição, muitas vezes relegadas a horários menos populares e salas com menor público.

O mercado cinematográfico é mais do que uma indústria de entretenimento: é uma ferramenta de fortalecimento cultural e econômico. No caso da China, o cinema sempre foi uma indústria estratégica, e as políticas públicas que protegem a produção local têm garantido seu sucesso tanto no mercado interno quanto no exterior. A China, com suas políticas de proteção à indústria cinematográfica, não apenas preserva sua cultura, mas também a utiliza para impulsionar seu desenvolvimento econômico.

No Brasil, devemos pensar sobre como a proteção ao cinema nacional pode ser uma estratégia que impulsiona não apenas a indústria cultural, mas também a economia como um todo, gerando empregos e promovendo o consumo local. Ao investir na produção cinematográfica brasileira, estamos criando uma rede de oportunidades em diversos setores como turismo, logística, distribuição e até em novas formas de marketing e publicidade.

Como no caso da China, onde filmes estrangeiros com frequência reforçam estereótipos e visões distorcidas do país, o cinema brasileiro deve continuar a valorizar a cultura local enquanto se protege de influências que não representam a realidade sociocultural do Brasil. E, ao contrário de outras políticas de bloqueio, como aconteceu com o cinema ocidental na China, o Brasil deve adotar uma postura mais aberta e estratégica, discutindo a influência de produções internacionais e criando uma abordagem que equilibre mercado e identidade cultural.

Essa proposta do Senado é uma grande oportunidade para reafirmarmos o valor do cinema nacional, protegendo a produção local enquanto fortalecemos a identidade cultural brasileira no cenário global. Investir no cinema brasileiro é mais do que uma questão de entretenimento: é uma estratégia econômica, geradora de empregos, aumento de arrecadação e promoção internacional da nossa cultura.

O Brasil, como a China, tem a chance de refletir sobre o papel do cinema em sua economia e identidade. Ao fortalecer a produção local, criamos uma cultura de desenvolvimento sustentável para o futuro, onde a valorização do cinema e da identidade cultural contribui para o crescimento econômico e social.

Fonte: Matéria do Gov.br sobre o mercado audiovisual brasileiro.