O ano de 2026 tem sido intenso. Ele nem acabou, mas já posso dizer que foi o ano em que entreguei ao mundo uma obra importantíssima para mim. Daquelas que marcam uma virada de chave, um ponto de inflexão entre o passado e o futuro.
Há 30 anos, eu começava a me interessar pela China. Foram leituras sobre confucionismo, taoísmo, caça a matérias de revistas nas bancas de jornais. Mais tarde, veio o idioma, os amigos chineses e, por fim, toda essa identificação desaguou no meu doutorado em antropologia.
Mas o que surgiu desse trajeto todo, muitas vezes silencioso e íntimo, esse ano se tornou uma exposição. Uma junção do relato da minha viagem de campo com fragmentos de todas essas décadas de interesse pelo país.
O livro 30 anos no caminho da montanha: diário de uma imersão antropológica e espiritual pela China nasceu desse ponto de virada.
Foi escrito pelas madrugadas juntando as anotações de campo, fotografias e memórias de vida.
Vejo ele como uma forma de permitir que o leitor possa não apenas viajar comigo, mas embarcar nas minhas reflexões, nos meus medos, no meu passado e nos caminhos para o futuro.
É um livro guardado no meu coração e, ao mesmo tempo, a pura expressão dele. É o registro do quanto a China mobiliza raízes profundas na minha identidade.
Como bem digo na abertura, a obra é uma garrafa jogada no oceano em busca de alguém que não sei quem é, que a encontrará em uma época que não tenho como saber. Mas está aí. Para quem sentir no coração o desejo de viajar pela China.